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Levantamento realizado pela UEL constata presença do mosquito da dengue resistente ao inseticida comercial

A estudante Thayna Lopes e a professora Renata da Rosa investigam a mutação genética do mosquito Aedes aegypti

Londrina registra em todas as regiões da área urbana a presença do mosquito Aedes aegypti resistente ao piretroide, composto químico presente nos inseticidas comerciais, disponíveis em supermercados e farmácias. A informação acende um sinal de alerta no combate ao mosquito, transmissor – além do vírus causador da dengue – o da febre amarela, da zika e da Chikungunya.

A confirmação do mosquito com genes mutantes resistentes ao piretroide foi feita por um projeto de pesquisa da UEL, coordenado pelo professor João Antonio Cyrino Zequi, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal. É a primeira vez que Londrina realiza esse tipo de estudo genético no Aedes.

O projeto “Inovação em produtos de controle e repelência do vetor e no monitoramento de arbovírus” tem várias etapas e os integrantes, tarefas distintas. A iniciativa tem financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A investigação da mutação genética do mosquito Aedes aegypti coube à professora Renata da Rosa, do Departamento de Biologia Geral, que orientou dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da estudante Thayna Bisson Ferraz Lopes. Os experimentos foram realizados no Laboratório de Citogenética Animal (LACA).

A professora Renata da Rosa explica que a ação envolveu, também, outras regiões do estado do Paraná, com a participação das universidades Federal do Paraná (UFPR), Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Em Londrina, o trabalho ficou sob a responsabilidade da UEL.

A professora Renata da Rosa e a estudante Thayna Lopes, hoje no Doutorado, explica que são conhecidas e descritas na literatura da área, cinco mutações do Aedes aegypti, que tornam o mosquito resistente a inseticidas. Foram definidas duas mutações genéticas para serem investigadas em Londrina e no Paraná. Essa mutação ocorre em uma proteína (canal de sódio) que torna o mosquito resistente. “Algum evento biológico ou físico mudou essa proteína que gera essa mutação [KDR – knockdown]”, explica a professora Renata da Rosa.

Eles são portadores do gene mutante e podem transmitir essa carga genética para sua prole

A constatação de que o mosquito com genes mutantes tem frequência significativa em Londrina revela que todos os mosquitos são mutantes e resistentes? Não necessariamente. Essa constatação, segundo Thayna Lopes, mostra que muitos indivíduos – ou seja, os mosquitos – são portadores do gene mutante e podem transmitir essa carga genética para sua prole. “Por isso, a necessidade de avaliar, monitorar e conhecer as mutações do mosquito e sua resistência a inseticidas para desenvolver métodos de controle do Aedes aegypti“, destaca a professora.

Cinco Regiões – A escolha dos pontos de coleta do mosquito para investigar sua carga genética foi definida em conjunto com a Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Saúde. A instituição apontou as áreas com maior registro de casos de dengue nos últimos anos.

Para isso, os pontos foram as unidades básicas de saúde (UBS) das regiões norte, sul, leste, oeste e centro. Além disso, os pesquisadores incluíram a UEL, onde a frequência populacional varia de acordo com os centros de estudos e setores que oferecem serviços à comunidade.

Ao todo, foram 11 pontos (UBS) nas cinco regiões da área urbana e três na Universidade, sendo os centros de Ciências Biológicas (CCB), de Estudos Sociais Aplicados (CESA) e Biblioteca Central (BC). Em cada ponto foram capturados 30 mosquitos, com um total de 420 indivíduos. Apesar de somente a fêmea do Aedes transmitir o agente que causa a dengue, o macho foi considerado no estudo porque sua mutação genética é transmitida para a prole.

Conforme os resultados, a região oeste da cidade apresenta o menor número de mosquitos com genes mutantes do Aedes. A região leste tem uma proporção equilibrada entre mosquitos com gentes mutantes e não mutantes. Já as regiões centro, sul e norte apresentam as maiores quantidades do mosquito portador do gene, responsável pela mutação.

Mapa do município de Londrina (área urbana) mostra incidência dos mosquitos mutantes, indicados pelas cores roxo (Ile) e azul (Cys)

Na UEL, também foram registradas taxas significativas do mosquito portador da mutação genética. A estudante Thayna Lopes afirma que a constatação do estudo é alarmante. “Porque ao se reproduzir, essa característica pode ser transmitida para as próximas gerações de mosquito”, informa.

A professora Renata da Rosa ressalta a necessidade de desenvolver métodos alternativos de controle do mosquito, com controle biológico (outros agentes que inibam a proliferação do Aedes) e novos produtos inseticidas. No entanto, a professora enfatiza a necessidade de reforçar a conscientização da população para eliminar os criadouros do mosquito. “Em primeiro lugar é prevenir, já que a prevenção é mais fácil e barata”, expõe.

O projeto “Inovação em produtos de controle e repelência do vetor e no monitoramento de arbovírus” está na sua fase final. Renata da Rosa afirma que nova proposta deve ser submetida a órgãos nacionais de fomento na busca por recursos financeiros. “Dando certo, vamos continuar o monitoramento das mutações de resistência do mosquito. Queremos realizar o levantamento dos cinco tipos de mutações já classificadas”, complementa a professora.

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.402.

Fonte: UEL

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