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MELADO PARANAENSE DE CAPANEMA GANHA INDICAÇÃO GOGRÁFICA PELO INPI

O melado de Capanema, produzido artesanalmente no Sudoeste do Paraná, teve a concessão de indicação geográfica (IG) aprovada na terça-feira (17). O registro foi publicado na Revista da Propriedade Industrial (RPI) nº 2.554 do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Com a decisão, o produto ganha um valor agregado importante para o desenvolvimento e preservação da região.

Capanema. Foto: José Fernando Ogura/ANPr

“Melado de Capanema. Foto: José Fernando Ogura / Agência Estadual de Notícias.”

“O pedido foi concedido quatro anos após a Associação de Turismo Doce Iguassu entrar na fila dos produtos cadastrados no Inpi. Com a decisão, o melado de Capanema se torna a oitava IG paranaense registrada no Brasil. A erva-mate de São Mateus do Sul, as uvas de Marialva e o café do Norte Pioneiro são algumas das outras. Ao todo, 14 produtos do Paraná contam com o reconhecimento ou estão à espera dele.

Receita

O melado batido, como é mais conhecido o produto, tem uma coloração bem diferente do tradicional, produzido especialmente no nordeste brasileiro, que é escuro e bem brilhante. O segredo da versão paranaense, segundo o produtor Gilberto Hass, começa no cultivo da matéria-prima usada na fabricação. “Tem a ver com a qualidade da cana que plantamos, que tem mais sacarose. Fomos adaptando a produção ao nosso terreno, que tem muito pedregulho, e ao clima. Aqui, as temperaturas podem chegar aos 40 graus”, explica. Outro fator que influencia na qualidade da cana-de-açúcar cultivada em Capanema é a proximidade do Rio Iguaçu, que garante uma ótima qualidade no processo de irrigação.

Hass brinca que a receita do produto é um segredo, mas depois entrega que o processo envolve a moagem da cana, a decantação, a fervura em alta temperatura para a retirada de impurezas e, por fim, o processamento em um tacho acoplado a uma batedeira tamanho família. “São várias etapas, sempre de olho na qualidade, no modo de processamento e experimentação. É um processo artesanal, que foi desenvolvido na experiência do dia a dia”, reforça Hass.

No entanto, com o sucesso que o melado de Capanema vem conquistando, coroado com a Indicação Geográfica, a projeção é ampliar a linha de produção.  “Capanema já é referência em melado e vamos conquistar ainda mais espaço para o nosso produto, que é muito exclusivo”. O próximo passo é a abertura de uma fábrica. “Até março do ano que vem vamos começar esta nova etapa. Queremos começar produzindo duas toneladas de melado”.”

“Indicação geográfica e de procedência
Dentro do reconhecimento de indicação geográfica, o melado de Capanema foi incluído no rol dos produtos com indicação de procedência (IP). A sigla faz parte da IG e representa uma região (seja ela um país ou uma cidade) que se tornou famosa pela produção de algo específico.

De acordo com a consultora de agronegócio do Sebrae, Alyne Chicocki, o processo de certificação começou em 2015. “O produto já tem qualidade reconhecida. A região tem uma cana diferenciada em função da mistura do clima e do solo. A indicação partiu de um diagnóstico do Sebrae, com um total de 1.300 páginas, que teve uma ampla coleta de informações e colaboração intensa dos produtores”, diz.

Com a certificação, a intenção é proteger o produto e fortalecer os produtores, que já estão organizados em uma cooperativa para ampliar a linha de produção e atender a demanda cada vez maior. “É importante ter a chancela de um órgão sério para proteger o savoir faire e ganhar mais mercado e agregar valor ao produto”, acrescenta Alyne.

A área produtora do melado de Capanema totaliza 419,403 km². Na região, que fica a 600 quilômetros de Curitiba, o produto tem tanta importância que é protagonista da tradicional Feira do Melado, que é realizada desde 1990.”

FONTE: Gazeta do povo

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